As Escolas Família Agrícola (EFAs) desempenham um papel único e essencial para o desenvolvimento sustentável, principalmente nos territórios em que estão inseridas. Seu plano pedagógico é centrado na relação natural e harmônica das comunidades locais com a natureza em seu entorno, da qual elas retiram seu sustento diário sem colocar em risco a biodiversidade presente no território. Apesar de seu importante papel, muitas EFAs tiveram suas atividades interrompidas dado o contexto atual da pandemia da COVID-19, sobretudo devido à falta de recursos para a continuidade das atividades de ensino e para a manutenção dos espaços da escola.

Com a Escola Família Agroecológica do Macacoari (EFAM), no Amapá, não foi diferente. Em 2020, a EFAM precisou se adaptar ao ensino remoto e buscar estratégias tanto para a captação de recursos quanto para atender às demandas dos alunos em um novo contexto. Algumas das estratégias adotadas para promover a continuidade das atividades da escola incluíram, por exemplo, o envio de materiais didáticos às casas dos alunos e a realização de acompanhamentos virtuais e de orientações presenciais, quando necessário, em espaços abertos, com distanciamento social e uso de máscaras de proteção facial, conforme recomendado pelos protocolos de prevenção contra a COVID-19.

 

Além das estratégias pedagógicas, a EFAM contou também com o apoio do Instituto Terroá na sua gestão administrativo-financeira ao longo de 2020 – apoio este que acaba de ser estendido também para o ano letivo de 2021. O foco central nesta nova etapa recai sobre a continuidade da reestruturação e melhoria dos processos administrativos e financeiros da escola, bem como sobre a resolução de gargalos, o aumento da autonomia no que tange à gestão de recursos e a alocação efetiva dos recursos disponíveis. Atendendo a uma necessidade levantada pelos professores e gestores ao longo do planejamento para o ano de 2021, a EFAM também prioriza, nesse momento, as reformas no prédio da Escola. As obras, que tiveram início em maio, contemplam a reforma da biblioteca, das salas de aula e das passarelas que ligam uma sala à outra, com término previsto para o final do mês de junho.

Devido à pandemia, o apoio do Terroá tem ocorrido de forma remota, com reuniões online e assessoria junto à construção de processos e relatórios, que vão desde a organização administrativa cotidiana até a prestação de contas a parceiros financiadores.

É importante ressaltar que a cotação dos preços de material e todo o orçamento da reforma foram realizados pela própria equipe de gestão da EFAM; a elaboração do plano de pagamentos para os prestadores de serviços, por sua vez, contou com o auxílio da equipe do Instituto Terroá.

Para Adenílson Vilhena Correa, presidente da Associação da Escola Família Agroecológica do Macacoari (AEFAM), a renovação da parceria é fruto de um trabalho de planejamento que a escola vem fazendo. “Sem o Terroá seria muito difícil, pela forma de gestão que ele propõe, a forma de gestão que é feita dos recursos da escola para poder chegar lá no aluno o melhor resultado, que é o trabalho sendo feito com responsabilidade, que é levar a educação aos alunos que estão envolvidos com a Escola Família”.

Destaca-se que o processo de gestão compartilhada entre o Instituto Terroá e a AEFAM tem caráter prático, mas também formativo. A proposta é a construção da autonomia nos processos de gestão, utilizando ferramentas específicas para projetos de incubação de empreendimentos comunitários e sociais, desenvolvidas pelo Terroá. A lógica da incubação é o “fazer junto” para construir inteligência e capacidade coletivas na organização. Nesse sentido, o conjunto de ações a serem desenvolvidas ao longo deste ano busca não apenas promover a sustentabilidade financeira e, por consequência, elevar o nível de profissionalização da escola, mas também aumentar a sua autonomia no que tange à gestão de recursos.

“Esse ano, a gente espera funcionar com o projeto basicamente com 90% ou 80% de sua capacidade, com o seu método de ensino sendo transmitido para os alunos e para as famílias. A gente espera estruturar a equipe para levar uma educação mais completa para os alunos e fazer um diálogo mais amplo com as comunidades e com as famílias. Então, apesar de termos um ano desafiador pela frente, estamos confiantes. Já entramos em 2021 com muitas mudanças e, com certeza, chegaremos ao final do ano letivo com avanços muito significativos e com uma visibilidade que o projeto nunca teve antes. Da forma com que a gestão está sendo trabalhada, a gente vai avançar muito e o crescimento da escola vai ser muito grande”, comenta Adenílson sobre as expectativas da EFAM com a renovação da parceria para 2021.

A iniciativa de apoiar e fortalecer as atividades pedagógicas e administrativas da EFAM também é fruto da parceria com a Brazil Foundation, a Universidade Estadual do Amapá (UEAP) e outras instituições que integram o programa “Economias Comunitárias Inclusivas do Amapá”.

 

 

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